Abri os braços. Fechei os olhos. Rodei, rodei e rodei. Sentia o corpo entorpecido, inebriado naquela confusão voluntariamente instalada. Ainda assim rodava. Era um instante sem cobranças, sem aborrecimentos... apenas eu e minha vertigem.
Fechei os braços. Abri os olhos. As formas distorcidas anunciavam uma ordem desordenada, um silêncio revelador. E então a epifania: minha força estava no caos.
Sabe aqueles dias em que tudo dá errado? Pois é, eles existem. As vezes parece que o universo inteiro ta querendo te testar... nessas horas, a propensão para, por exemplo, dentro do ônibus, a mulher bunduda te esmagar bem em cima do cara fedido é enorme. Isso quando não chove bem no dia em que você resolveu passar a chapinha. Enfim, quando ta tudo uma merda não adianta querer correr do fedor.
Hoje chegando em casa, com as mãos cheias de livros, fui tentar abrir o portão, cujo cadeado foi estrategicamente desenvolvido para derrubar sua chave em momentos de estresse. E não deu em outra: o diabo da chave caiu por dentro da garagem. No que eu abaixei para pegar, derrubei os livros e minha pasta. Já irritada, peguei a chave, os livros e quando puxei a pasta ela abriu e simplesmente espalhou na calçada todas as milhares de folhas que eu carrego. Aquilo me deu um ódio tão grande que nem consigo descrever. Nessas horas a raiva é tamanha que precisamos extravasar de algum jeito! Quando abri a boca, lembrei que não deveria dizer palavrões (quando eu era pequena era um tapa na boca por palavra feia pronunciada... no auge da raiva, o máximo que minha mãe consegue dizer eh “que meleca, seu bobo!”)... enfim, fechei a boca. Quando olhei de novo para aquelas folhas, minha mãe que me desculpe, mas não teve jeito. Xinguei até a oitava geração do cadeado, da chave, do portão e o escambal! Mais aliviada, catei as folhas e entrei em casa.
O episódio me fez refletir: porque diabos eu não podia dizer o palavrão? (É óbvio que o sentido da pergunta não está no palavrão em si, afinal, 1. não podemos falar tudo o que queremos 2. eu não quero que minha mãe enfarte.) Quer dizer, qual o sentido de viver em função de regras sem sentido? As vezes perdemos tanto tempo nos preocupando em fazer ou pensar aquilo que esperam da gente, que nos esquecemos de ter fidelidade aos nossos próprios ideais. Viver é enlouquecedor, portanto: abraça a sua loucura! De que adianta uma vida sem desejos ou desafios? Qual a graça em ser a Miss Santidade? Na maioria das vezes as barreiras que nos limitam são auto- impostas. Cruza- las não tem o menor problema, contanto que estejamos dispostos a sofrer as conseqüências (pela santa bicicletinha, só não vai achar que você é o Batman e pular de um prédio!). Crescer é saber a hora certa pra fazer a coisa errada e amadurecer é perceber que responsabilidade e diversão não são inversamente proporcionais.
Não deixe de ouvir essa música: YOU GOTTA BE
(nossa, a letra é perfeita...!)
@laizaantonelli -> fiz twitter! Agora é só aprender a mexer direito =x
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